sexta-feira, 11 de novembro de 2016

2) O PERIGO DAS MÁS COMPANHIAS

2) O Perigo das Más Companhias

            Filho meu, se os pecadores [te quiserem seduzir - ATB] não consintas. Se disserem: Vem conosco; espiemos o sangue; espreitemos sem razão o inocente; traguemo-los vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda a sorte de fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos; lançarás a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa; Filho meu, não te ponhas a caminho com eles: desvia o teu pé das suas veredas”. (Pv 1:10-15)
            A segunda coisa que deve ser ensinada aos filhos em casa é a separação do mal. Há grande perigo em ter más companhias, e isso precisa ser ensinado em uma idade muito jovem. Portanto, o foco desta lição visa compreender a poderosa influência de amigos.
            A imagem retratada aqui é uma gangue de rua seduzindo o jovem a se juntar a eles em alguma perseguição do mal. As questões da coação dos grupos eram tão reais 3.000 anos atrás como são hoje! Podemos não ser tentados do mal de forma tão flagrante como a retratada aqui, mas a probabilidade de se associar com pessoas que não conhecem o Senhor como seu Salvador irá apresentar-se em algum momento. A lição aqui é dizer “Não”. Ao filho é dito: “não consintas”. Dizer “não” pode ser difícil às vezes, porque todo o jovem naturalmente quer ser aceito. Será preciso caráter moral e coragem. A coragem da convicção deve ser ensinada em casa.
            A Bíblia diz: “Companheiro sou de todos os que Te temem e dos que guardam os Teus preceitos” (Sl 119:63). Há duas qualificações para boa companhia neste verso. Em primeiro lugar, devemos ser companheiros daqueles que “temem” ao Senhor. A prova de temer a Deus é que nos desviamos do mal (Pv 14:16). Não há nenhum sentido falar em temer ao Senhor se não nos separarmos do mal (Lc 6:46; Jo 14:15; 1 Pe 1:15-16). Então, em segundo lugar, devemos ser companheiros daqueles que querem obedecer aos mais pequenos detalhes (“preceitos”) da Palavra de Deus. Estes são os tipos de amigos que devemos ter. Todos os outros devem ser mantidos a uma boa distância.

Porque Separação é Importante

            Os jovens vão querer saber porque eles devem andar em separação do mundo. As razões para a separação devem ser explicadas a eles para que eles possam inteligentemente compreender a importância de andar numa senda como esta. Quando eles entendem a razão, eles estarão mais inclinados a fazê-lo. Os pais não podem simplesmente dizer: “Bem, os irmãos confiam na separação”. A verdade é que DEUS confia na separação! Ele insiste nisso como meio de preservação para o Seu povo. Ela é encontrada na primeira página de nossas Bíblias (Gn 1:4), e continua a ser enfatizada em toda a Palavra inspirada até a última página (Ap 22:11). É vital que todos na família entendam este princípio, e é da responsabilidade dos pais ensiná-lo.
Os pais devem ensinar separação a seus filhos, não apenas falando a eles, mas mostrando a eles! Se eles mesmos não andam em separação, não podem esperar que seus filhos o façam. Se Manoá e sua esposa deveriam criar um piedoso filho nazireu, a mãe da criança deveria, ela mesma, viver como um nazireu! (Jz 13:4-5, 13-14).
Poderíamos perguntar: “Por que exatamente precisamos de separação em nossas vidas?”
A) Porque não podemos desfrutar de comunhão com o Senhor e com o mundo ao mesmo tempo! Terá que ser com um ou com o outro. As duas coisas são totalmente incompatíveis (Tg 4:4). 1 João 2:15 diz: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. Companhia e comunhão com o nosso Deus e Pai é para ser valorizada acima de tudo mais em nossas vidas. Existem inúmeros exemplos deste ponto nas Escrituras. A noiva em Cantares de Salomão tentou desfrutar de “aquele a quem ama a minha alma”, enquanto ela relaxou e andou “pelas ruas” e pelos “caminhos largos” (JND) da “cidade”, mas isso não funcionou. Ela perdeu a sua companhia (Ct 3:1-2). Quando Abraão foi para o Egito (um tipo do mundo), ele não teve o seu altar, que fala da ligação da alma de comunhão com Deus (Gn 12:10; 13:4). Ele aprendeu que não poderia ter o Senhor e o Egito, ao mesmo tempo.
B) Porque desfrutar dos prazeres e entretenimento do mundo deteriora nossa afeição por Cristo! Efraim juntou-se aos ídolos do mundo (Os 4:17), e misturou-se com as pessoas do mundo [“povos”]: (Oséias 7:8) – e isso levou seu coração para longe do Senhor (Os 4:11; 7:11). Os filhos de Israel desejavam comer os “pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos” do Egito e o efeito foi o de diminuir o gosto de sua alma pelo “maná”, que é um tipo de Cristo (Nm 11:5-6). Isso trouxe fraqueza à sua alma. Quem se alimenta de entretenimento do mundo geralmente tem pouco interesse nas coisas do Senhor. O mundo pressiona seus caminhos em nossas vidas como a extremidade fina de uma cunha, e, lentamente, mas certamente, remove nosso afeto pelo Senhor e nosso interesse em Suas coisas.
C) Porque nós ficaremos corrompidos e contaminados pelas maneiras e moral do mundo! A Bíblia diz: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15:33). Quer gostemos de admitir isso ou não, somos afetados por aqueles com quem nos associamos. Todos nós afetamos uns aos outros, de alguma forma, como diz a Escritura: “Nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si” (Rm 14:7). Os filhos de Israel foram avisados para não se unirem com as nações da terra de Canaã, porque isso iria certamente levar o coração deles para longe do Senhor (Dt 7:1-4). Associação com o mundo tem uma maneira de dessensibilizar a moral de uma pessoa. Em Provérbios, somos advertidos para não fazer amizade com um homem iracundo porque vamos inadvertidamente aprender “as suas veredas” (Pv 22:24-25, 13:20). Por viver em Sodoma, os valores morais de Ló se deterioraram ao nível dos homens de Sodoma. Ele ofereceu suas filhas para os homens maus da cidade! (Gn 19:8)
D) Porque participando dos prazeres do mundo vai levar-nos a perder o nosso discernimento! Quando é esse o caso, vamos ser arrastados mais e mais para as coisas do mundo. Efraim se misturou com o mundo e perdeu sua força (espiritual), mas ele não percebeu isto porque havia se tornado insensível (Os 7:8-9). Provérbios 23:29-35 alerta para a pessoa que se entrega ao vinho (aqui é um tipo dos prazeres intoxicantes do mundo). Um dos resultados disto seria que quando as pessoas fossem bater nele (para corrigi-lo) ele não sentiria! Sansão se uniu com uma pessoa que não era uma filha de Deus (Dalila), e perdeu o seu discernimento e revelou o segredo do seu nazireado. Ele “não sabia” que sua força se tinha ido dele (Jz 16:20). É muito solene notar que quando os babilônios (um tipo do mundo) conquistaram o povo de Deus na terra de Israel, eles arrancaram os olhos de Zedequias (2 Rs 25:7). Isto fala da perda de discernimento.
E) Porque por andar em comunhão com o mundo vamos perder o poder do nosso testemunho! O cristão que anda em separação do mundo terá um poderoso testemunho para o mundo (At 4:33). Mas se ele caminha em comunhão com o mundo, ele perde seu poder de testemunhar para ele. Mais uma vez, Ló é um exemplo. Ele morava em Sodoma, e quando ele tentou testemunhar a seus genros, o seu testemunho “Foi tido porém por zombador” (Gn 19:14). Eles pensaram que ele estava brincando, e não o levaram a sério.

Duas Partes da Nossa Separação

            Mero conhecimento da verdade de separação, por mais claro e compreensível que ele possa ser apresentado aos nossos filhos, não vai, por si só, dar-lhes o poder de andar nesse caminho. Se é apenas uma lista de coisas que não deveríamos fazer, eles podem se rebelar contra isso. Será visto como uma coisa vazia e legalista que só impede uma pessoa de se divertir. Isso ocorre porque uma vida esvaziada de mundanismo ainda continua vazia e precisa de algo para preenchê-la. O coração deve ter um objetivo correto – Cristo. Se não estamos desfrutando de Cristo, a separação vai ser uma coisa monótona. Não é o que a pessoa sabe que controla sua vida – é o que ela desfruta.
            Existe, portanto, a necessidade de apresentar à família as duas partes da separação – a nossa separação para o Senhor e nossa separação do mundo. Isto é visto em várias passagens na Palavra de Deus. Por exemplo, os filhos de Israel deveriam sair de Ramsés (Egito), que nos fala da separação do mundo (Êx 12:37), mas eles também deviam entregar seus primogênitos ao Senhor, o que nos fala da nossa separação para Deus (Êx 13:1-2). Outro exemplo é o nazireu, que era para se separar “ao Senhor” e também “do vinho e de bebida forte”, etc. (Nm 6:2-3). Vemos isso novamente com a roupa da “mulher virtuosa” feita para a sua família. Ela vestiu sua casa com “roupa dobrada” (Pv 31:21). Isso fala de uma separação interior para Deus e uma separação externa dos elementos do mundo. Se temos nos separado para o Senhor e somos encontrados desfrutando comunhão com Ele, a senda da separação do mundo não será um trabalho penoso; será uma feliz liberdade. Quanto mais andamos com Deus e temos comunhão com Ele, mais vamos ver o verdadeiro caráter do mundo, e não vamos querê-lo. Vamos ver o mundo como Deus o vê – como é apresentado na Palavra de Deus – como um inimigo de nossas almas que pode prejudicar nosso desfrutar de Cristo.
É surpreendente que um dos tipos de separação do mal em nossas Bíblias é a Festa dos Pães Asmos (Êx 12:15-17). É chamada uma festa! Quando você pensa em uma festa, você pensa em uma experiência feliz, prazerosa. Essa santa convocação não é apresentada como vazia e enfadonha, mas como uma experiência feliz e agradável – uma festa!
            Portanto, a casa deve ter o holocausto (um tipo de Cristo) nela – Cristo como o objeto central estabelecido diante dos filhos. Este é o lado da separação que é para o Senhor. Manoá é o nosso exemplo (Jz 13:19-23). Ele tinha a fragrância da oferta do Senhor em sua casa. Era esta a atmosfera na qual ele e sua esposa criaram o filho nazireu (Sansão) para o Senhor.

A Sabedoria Fala nas Ruas

            Os pais então começam a falar da sabedoria que clama de fora “nas ruas” (vs. 20-23). O filho deveria aprender no lar com seus sábios conselhos, mas ele também deveria aprender a partir da observação dos caminhos “dos néscios” no mundo. Esta é “a instrução da sabedoria” (v. 3), onde se aprende a partir da observação das falhas dos outros.
            “Sabedoria” nesta primeira seção de Provérbios é personificada. Vamos ver no capítulo 8 que é uma Pessoa divina, o próprio Filho de Deus. Ele é apresentado na forma feminina, porque devemos levar em conta a Sabedoria de uma forma afetuosa.

O Desastre de Negligenciar a Sabedoria

            Na última parte do capítulo vemos que a sabedoria pode ser aprendida de uma terceira forma – na escola dos duros golpes (vs. 24-33). Embora não aconselhável, ainda podemos aprender pelas disciplinas governamentais de Deus em nossas vidas. Mas esta forma é muito dolorosa.
            Os pais falam das consequências desastrosas de se recusar o conselho de sabedoria. É importante que instruamos nossos filhos não somente do caráter do mundo, mas também o triste fim daqueles que seguem o seu curso. Se eles entendem isso, não vão invejar tais pessoas, mas sim terão pena deles (Pv 23:17, 24:1; Sl 37:1).
            Não obstante, alguns Cristãos autoconfiantes pensam que podem ir em seu caminho sem sabedoria; mas no final eles pagam o preço por isso. Todo homem tem a liberdade de fazer suas próprias escolhas na vida, mas ele não é livre para escolher as consequências de suas escolhas. Este é um aviso solene para aqueles que pensam que podem andar de mãos dadas com o mundo e não serem afetado por ele. Não é que Deus vai literalmente “rir” na calamidade dos tolos (v. 26); mas é antes o riso de uma punição merecida. O ponto é que se você violar certos princípios de Deus, no final eles acabarão zombando de você. Tolos, inevitavelmente, farão a colheita da sua loucura (Gl 6:7-8). “Portanto comerão do fruto do seu caminho” (v. 31). A “prosperidade” [“complacência”] dos tolos os destruirá no final (v. 32). Que estejamos avisados!