segunda-feira, 7 de novembro de 2016


O  LIVRO DE PROVÉRBIOS

SABEDORIA DIVINA PARA NOSSA SENDA TERRENA

Bruce Anstey

UM ESBOÇO DO LIVRO DE PROVÉRBIOS

                    O livro de Provérbios é às vezes chamado de “livro do jovem” (Prov 1:4) porque dá instruções sábias e profundas para aqueles ainda inexperientes na vida. Ele apresenta a sabedoria divina para a nossa senda aqui na Terra e é útil para todas as idades. O objetivo do livro é o de formar um bom caráter e conduta de modo que uma pessoa não vai fazer uma confusão generalizada em toda a sua vida moral, financeira, social, etc.

                    O Senhor deu a Salomão a sua sabedoria (1 Reis 3:11-12), mas ela foi obtida Dele de três formas principais:
o    Pela observação - "Atentei ..." (Ecl 1:14).
o    Pela meditação - "Falei eu com o meu coração..." (Ecl 1:16a).
o    Pela experimentação - "meu coração tem tido larga experiência... " (Ecl 1:16b ARC).

                    O livro, como um todo, tem seis divisões principais. Essas estão marcadas por uma expressão de inspiração divina inserida no texto, que separa uma parte da outra. As divisões são:

o    Divisão I - Doze lições na família (capítulos 1-9).
o    Divisão II – Provérbios de Salomão (capítulos 10-22:16).
o    Divisão III - As palavras dos sábios (capítulos 22:17-24:34).
o    Divisão IV - O Segundo Livro de Provérbios de Salomão (capítulos 25-29).
o    Divisão V - As palavras de Agur (Capítulo 30).
o    Divisão VI - As palavras do rei Lemuel (Capítulo 31).



DIVISÃO 1

(CAPÍTULOS 1-9)


DOZE LIÇÕES DE SABEDORIA EM UMA FAMÍLIA

Os versículos 1-7 são uma introdução ao livro. O primeiro verso é o título desta seção. Nós vamos encontrar afirmações semelhantes por todo o livro que indicarão as suas várias divisões.


DEZ COISAS ADQUIRIDAS PELA APLICAÇÃO DA SABEDORIA DOS PROVÉRBIOS

                    Os versículos 2-4 dão a finalidade dos provérbios de Salomão. Dez coisas são mencionadas nestes versos indicando o que vamos encontrar se aplicarmos a sabedoria deste livro.

1)       Sabedoria - conhecimento utilizado corretamente.
2)       Instrução - o conhecimento adquirido pelo castigo e disciplina.
3)       Entendimento - conhecimento adquirido pela reflexão.
4)       Instrução de sabedoria - conhecimento adquirido por um caminhar prudente.
5)       Justiça - conduta e comportamento corretos.
6)       Juízo - discernimento.
7)       Equidade - integridade moral imparcial.
8)       Prudência - capacidade de detectar malícia em outros.
9)       Conhecimento - informação útil.
10)   Discrição - ponderação.


DUAS COISAS NECESSÁRIAS

                    Os versículos 5-7 falam de duas coisas que são necessárias de nossa parte para ganhar a sabedoria no livro de Provérbios. Em primeiro lugar, deve haver a vontade de aprender (v. 5-6). Em segundo lugar, deve haver um reverente temor ao Senhor (vs. 7).
                    Uma pessoa pode ser exposta à mais excelente sabedoria dos mestres mais dotados, mas ele não terá nenhum proveito disso se não houver a vontade de aprender e o temor do Senhor em sua vida. Nossas vidas vão mostrar o quanto tememos o Senhor pela decisão de aplicar ou não estes princípios práticos da Sua Palavra.


VÁRIAS MANEIRAS DE APRENDER

                    Há, talvez, três maneiras de se aprender as lições da vida. Primeiro, podemos aprender com nossos erros. Nós podemos andar no caminho que achamos ser o melhor e aprender, com a experiência própria, as lições da vida – a maioria das quais provavelmente será dolorosa. Isto, sem dúvida, não é um método aconselhado, porque nós podemos fazer uma confusão generalizada em nossas vidas muito rapidamente, e acabaremos tendo que levar os efeitos de nossas falhas pelo resto de nossas vidas. Uma segunda maneira de aprender as lições da vida é aprender com os erros dos outros. Isto é melhor, porque nós não sofreremos os efeitos de suas falhas em nossas próprias vidas. Mas a melhor maneira de aprender as lições da vida é da Palavra de Deus. Esta é a maneira mais feliz. Mas isso requer vontade de receber o que a Palavra diz e também reverência para com aquEle que a escreveu. Alguém colocou desta forma: feliz é o homem que aprende com seus erros; mais feliz ainda é aquele que aprende com os erros de outras pessoas, mas o mais feliz de todos é aquele que aprende com os princípios da Palavra de Deus.


DOZE DISCURSOS DO PAI OU DA MÃE PARA O FILHO

                    Doze lições há nesta seção do livro. São discursos do pai ou da mãe para o filho, cada um deles começando com as palavras "Meu filho". Há alguns lugares onde a expressão aparece no meio de uma lição. O contexto vai mostrar que não é uma nova lição, mas parte de um em discussão. Na tradução de J.N. Darby há um travessão indicando que é uma continuação do assunto, ou seja, capítulos 1:15; 6:3). O cenário é de um lar piedoso onde os pais são vistos orientando e instruindo seu filho nas questões da vida. As lições são recomendações e conselhos dos pais que visam prepará-lo para a vida. Eles estão primeiramente preocupados em ajudar o filho ou a filha a tomar as decisões certas na vida.

                    Esta seção (capítulos 1-9) é muito aplicável para pais que querem saber o que eles deveriam estar ensinando a seus filhos na sua preparação para a vida. A essência destes doze discursos é o que todos os pais piedosos devem ensinar os seus filhos. Claro, essas lições são também aplicáveis ​​aos jovens que estão começando na vida. Eles são referidos no livro como o "simples" (Prov. 1:4). Este não é um termo depreciativo; ele não está falando de alguém que tem dificuldades mentais, mas de alguém que é inexperiente na vida isto é, ingênuo. Portanto, se um jovem quer ter um bom sucesso na vida, moral e espiritualmente de forma prática, ele precisa aplicar-se a aprender essas lições e provar a bênção de Deus.

                    Se alguém não tem o privilégio de ter pais tementes a Deus, que lhe darão sábios conselhos práticos e espiritual nas questões de vida, ele pode abraçar estes capítulos, colocando-se no lugar desse jovem, e aproveitar das mesmas lições.

1) O ACONSELHAMENTO DOS PAIS

                    "Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes a doutrina de tua mãe. Porque diadema de graça serão para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço" (Prov. 1: 8-9). O conselho dos pais é a primeira, e talvez, a lição mais importante. Se a confiança no conhecimento dos pais dos assuntos da vida não estiver estabelecida, os filhos provavelmente não vão levar a sério quaisquer outras lições que os pais têm a ensinar. Isto significa que os pais precisam para “ganhar o ouvido” de seus filhos na idade mais cedo possível, e, assim, começar a ensinar-lhes estas importantes lições. (Dt 6:6-7, 11:18-21.; Sl 78:2-7;. Prov 4:1-4; Isa 38:19).

                    Todos os jovens que crescem em um lar temente a Deus, precisam entender que seus pais têm os seus melhores interesses em seus corações. Há muitas armadilhas e perigos que um jovem poderia cair se eles não forem cautelosos. Eles devem ser agradecidos por terem alguém para guiá-los nos caminhos da vida. Os jovens precisam reconhecer que seus pais têm mais experiência de vida do que eles têm, e podem oferecer informações e orientação valiosas nas questões da vida. Bom conselho dos pais é indispensável para o jovem e inexperiente.

                    Muitas vezes, os jovens pensam que a compreensão que o pai e da mãe têm do mundo e seus aconselhos estão desatualizados. Mas eles estão enganados. Certamente não podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que, porque nossos pais não falam sobre coisas contaminadas e sujas que eles têm visto e ouvido neste mundo mau, eles não sabem sobre ele! (Ef 5:11-12). A sabedoria nos dirigirá a proteger nossoss filhos dessas coisas. Os pais que falharam em determinadas áreas de suas vidas, não ajudarão seus filhos ao falarem sobre isso na frente deles – quer se tratem de seus pecados antes de sua conversão, ou depois de terem sido salvos. Eles estarão apenas colocando uma pedra de tropeço diante deles. Se as crianças sabem que seus pais fizeram tais coisas, eles podem se inclinar a pensar que desde que o pai ou a mãe fizeram tal coisa, então eles podem fazê-lo também, porque, afinal de contas, no final deu tudo certo. Quão cuidadosos devemos ser! Se uma pessoa continua a re-visitar os seus pecados e a falar sobre eles, levará alguem imaginar se ele realmente julgou esses pecados. Esses tais estão apenas se gloriando na sua vergonha (Fil. 3:19 TB).

                    O nono versículo descreve poeticamente a beleza moral e dignidade que os jovens terão se seguirem o conselho de seus pais. No entanto, a pessoa que não ouvir os seus pais está a caminho de dificuldades.


2) O PERIGO DE MÁS COMPANHIAS

                    "Filho meu, se os pecadores com blandícias te quiserem tentar, não consintas. Se disserem: Vem conosco; espiemos o sangue; espreitemos sem razão o inocente; traguemo-los vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda a sorte de fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos; lançarás a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa; Filho meu, não te ponhas a caminho com eles: desvia o teu pé das suas veredas". (Provérbios 1: 10-15)

                    A segunda coisa que deve ser ensinada aos filhos em casa é a separação do mal. Há grande perigo em ter más companhias, e isso precisa ser ensinado em uma idade muito jovem. Portanto, o foco desta lição visa compreender a poderosa influência de amigos.

                    A imagem retratada aqui é uma gangue de rua estimulando o jovem a se juntar a eles em alguma perseguição do mal. As questões da coação dos grupos eram tão reais a 3000 anos atrás como são hoje! Podemos não ser tentados de forma tão flagrante do mal como a retratada aqui, mas a probabilidade de se associar com pessoas que não conhecem o Senhor como seu Salvador irá apresentar-se em algum momento. A lição aqui é para dizer "Não". Ao filho é dito: "não consintas". Dizer "não" pode ser difícil às vezes, porque normalmente todos os jovens querem ser aceitos. Isto custará caráter moral e coragem. A coragem da convicção deve ser ensinada em casa.

                    A Bíblia diz: "Companheiro sou de todos os que Te temem e dos que guardam os Teus preceitos" (Sl. 119:63). Há duas qualificações para boa companhia neste verso. Em primeiro lugar, devemos ser companheiros daqueles que "temem" ao Senhor. A prova de temer a Deus é que nos desviamos do mal (Prov. 14:16). Não há nenhum sentido falar em temer ao Senhor se não nos separarmos do mal (Lucas 6:46; João 14:15; 1 Pedro 1:15-16). Então, em segundo lugar, devemos ser companheiros daqueles que querem obedecer os mais pequenos detalhes ("preceitos") da Palavra de Deus. Estes são os tipos de amigos que devemos ter. Todos os outros devem ser mantidos há uma boa distância.


PORQUE SEPARAÇÃO É IMPORTANTE

                    Os jovens vão querer saber por que eles devem andar em separação do mundo. As razões para a separação devem ser explicadas a eles para que eles possam inteligentemente compreender a importância de andar numa senda como esta. Quando eles entendem a razão, eles estarão mais inclinados a fazê-lo. Os pais não podem simplesmente dizer: "Bem, os irmãos consideram a separação". A verdade é que Deus considera a separação! Ele insiste nisso como meio de preservação para o Seu povo. Ela é encontrada na primeira página de nossas Bíblias (Gen. 1: 4), e continua a ser enfatizada em toda a Palavra inspirada até a última página (Apo. 22:11). É vital que todos na família entendam este princípio, e é da responsabilidade dos pais ensiná-lo.
Os pais devem ensinar separação a seus filhos, não apenas falando a eles, mas mostrando a eles! Se eles mesmos não andam em separação, não podem esperar que seus filhos o façam. Se Manoá e sua esposa deveriam criar um piedoso filho nazireu, a mãe da criança deveria viver como um nazireu, ela mesma! (Jz. 13:4-5, 13-14).

Poderíamos perguntar: "Por que exatamente precisamos de separação em nossas vidas?"

                    A) Porque não podemos desfrutar de comunhão com o Senhor e com o mundo ao mesmo tempo! Terá que ser com um ou com o outro. As duas coisas são totalmente incompatíveis (Tiago 4:4). 1 João 2:15 diz: "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. Companhia e comunhão com o nosso Deus e Pai é para ser valorizada acima de tudo mais em nossas vidas. Existem inúmeros exemplos deste ponto nas Escrituras. A noiva em Cantares de Salomão tentou desfrutar de "aquele a quem ama a minha alma", enquanto ela relaxou e andou “pelas ruas” e pelos “caminhos largos” (J.N.Darby) da “cidade”, mas isso não funcionou. Ela perdeu a sua companhia (Cantares 3:1-2). Quando Abraão foi para o Egito (um tipo do mundo), ele não teve o seu altar, que fala da ligação da alma de comunhão com Deus (Gn 12:10; 13:4). Ele aprendeu que ele não poderia ter o Senhor e no Egito, ao mesmo tempo.

                    B) Porque desfrutar dos prazeres e entretenimento do mundo deteriora nossa afeição por Cristo! Efraim juntou-se aos ídolos do mundo, e misturou-se com as pessoas do mundo ["povos"]: Oséias 7:8 – e isso levou seu coração para longe do Senhor (Oséias 4:11; 7:11). Os filhos de Israel desejavam comer os "pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos" do Egito, e o efeito foi a diminuir o gosto de sua alma pelo "maná", que é um tipo de Cristo (Núm 11:5-6). Isso trouxe enfraquecimento à sua alma. Quem se alimenta de entretenimento do mundo geralmente tem pouco interesse nas coisas do Senhor. O mundo pressiona seus caminhos em nossas vidas como a extremidade fina de uma cunha, e, lentamente, mas certamente, desloca nosso afeto pelo Senhor e nosso interesse em Suas coisas.

                    C) Porque nós ficaremos corrompidos e contaminados pela maneiras e moral do mundo! A Bíblia diz: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1 Cor 15:33.). Quer queiramos admitir ou não, somos afetados por aqueles com quem nos associamos. Todos nós afetamos uns aos outros, de alguma forma, como diz a Escritura: "Nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si" (Rom. 14:7). Os filhos de Israel foram avisados ​​para não se unirem com as nações da terra de Canaã, porque isso iria certamente levar o coração deles para longe do Senhor (Dt. 7:1-4). Associação com o mundo tem uma maneira de dessensibilizar a moral de qualquer um. Em Provérbios, somos advertidos para não fazer amizade com um homem iracundo porque vamos inadvertidamente "aprendas as suas veredas" (Provérbios 22:24-25; 13:20.). Ao viver em Sodoma, os valores morais de Ló se deterioraram ao nível dos homens de Sodoma. Ele ofereceu suas filhas para os homens maus da cidade! (Gn 19:8).

                    D) Porque participando dos prazeres do mundo vai levar-nos a perder o nosso discernimento! Quando é esse o caso, vamos ser arrastados mais e mais para as coisas do mundo. Efraim se misturou com o mundo e perdeu sua força (espiritual), mas ele não percebeu isto porque havia se tornado insensível (Oséias 7:8-9). Provérbios 23:29-35 alerta para a pessoa que se entrega ao vinho (tipo dos prazeres intoxicantes do mundo). Um dos resultados foi que quando as pessoas fossem bater nele (para corrigi-lo) ele não sentiria! Sansão se uniu com alguém que não era um filho de Deus (Dalila), e ele perdeu o seu discernimento e revelou o segredo do seu nazireado. Ele "não sabia" que sua força se tinha ido dele (Jz 16:20). É muito solene notar que quando os babilônios (um tipo do mundo) conquistaram o povo de Deus na terra de Israel, eles arrancaram os olhos de Zedequias (2 Reis 25:7.). Isto fala da perda de discernimento.

                    E) Porque por andar em comunhão com o mundo vamos perder o poder do nosso testemunho! O cristão que anda em separação do mundo terá um poderoso testemunho para o mundo (Atos 4:33). Mas se ele caminha em comunhão com o mundo, ele perde seu poder de testemunhar para ele. Mais uma vez, Lot é um exemplo. Ele morava em Sodoma, e quando ele tentou testemunhar a seus genros, o seu testemunho "Foi tido porém por zombador" (Gn 19:14). Eles pensaram que ele estava brincando, e não o levaram a sério.


DUAS PARTES DA NOSSA SEPARAÇÃO

                    Mero conhecimento da verdade de separação, por mais claro e compreensível que ele possa ser apresentado aos nossos filhos, não vai, por si só, dar-lhes o poder de andar nesse caminho. Se é apenas uma lista de coisas que não devemos fazer, eles podem se rebelar contra isso. Isto será visto como uma coisa vazia e legalista que só impede uma pessoa de ter um bom tempo. Isso ocorre porque uma vida esvaziada de mundanismo ainda continua vazia e precisa de algo para preenchê-la. O coração deve ter um objeto apropriado - Cristo. Se não estamos desfrutando de Cristo, a separação vai ser uma coisa triste. Não é aquilo que alguém sabe que controla sua vida, é aquilo que ele desfruta.

                    Existe, portanto, a necessidade de apresentar à família as duas partes da separação - a nossa separação para o Senhor e nossa separação do mundo. Isto é visto em várias passagens na Palavra de Deus. Por exemplo, os filhos de Israel deveria sair de Rameses (Egito), que nos fala da separação do mundo (Ex. 12:37), mas eles também deviam entregar seus primogênitos ao Senhor, que nos fala da nossa separação para Deus (Ex. 13:1-2). Outro exemplo está no nazireu que era separar-se "ao Senhor", e também "do vinho e de bebida forte", etc. (Num. 6:2-3). Você ve isso novamente com a roupa da "mulher virtuosa" feita para a sua família. Ela vestiu sua casa com "roupa dobrada" (Prov 31:21). Isso fala de uma separação interior para Deus e uma separação externa dos elementos do mundo. Se temos nos separado para Senhor e somos encontrados desfrutando comunhão com Ele, o caminho da separação do mundo não será uma escravidão; será uma feliz liberdade. Quanto mais andamos com Deus e temos comunhão com Ele, mais vamos ver o verdadeiro caráter do mundo, e não vamos querê-lo. Vamos ver o mundo como Deus o vê - como é apresentado na Palavra de Deus - como um inimigo de nossas almas que pode prejudicar nosso desfrutar de Cristo.

                    É surpreendente que um dos tipos de separação do mal em nossas Bíblias é a Festa dos Pães Ásmos (Ex. 12:15-17). É chamada uma festa! Quando você pensa em uma festa, você pensa em uma experiência feliz, alegre. Essa santa convocação não é apresentada como vazia e chata, mas como uma experiência feliz e agradável – uma festa!

                    Portanto, a casa deve ter o holocausto (um tipo de Cristo) nela - Cristo como o objeto central estabelecido diante dos filhos. Este é o lado da separação que é para o Senhor. Manoá é o nosso exemplo (Jz. 13:19-23). Ele tinha a fragrância da oferta do Senhor em sua casa. Era esta a atmosfera na qual ele e sua esposa criaram o filho nazireu (Sansão) para o Senhor.


A SABEDORIA FALA NAS RUAS

                    Os pais então começam a falar da sabedoria que clama de fora “nas ruas” (vs. 20-23). O filho deveria aprender no lar com seus sábios conselhos, mas ele também deveria aprender a partir da observação dos caminhos "dos néscios" no mundo. Esta é "a instrução da sabedoria" (vs. 3), onde se aprende a partir da observação das falhas dos outros.

                    "Sabedoria" nesta primeira seção de Provérbios é personificada. Vamos ver no capítulo 8 que é uma Pessoa divina, o próprio Filho de Deus. Ele é apresentado na forma feminina, porque devemos levar em conta a Sabedoria de uma forma afetuosa.


O DESASTRE DE NEGLIGENCIAR A SABEDORIA

                    Na última parte do capítulo vemos que a sabedoria pode ser aprendida de uma terceira forma - na escola dos fortes golpes (vs. 24-33). Embora não aconselhável, ainda podemos aprender pelas disciplinas governamentais de Deus em nossas vidas. Mas esta forma é muito dolorosa.
                    Os pais falam das consequências desastrosas de se recusar o conselho de sabedoria. É importante que instruamos nossos filhos não somente do caráter do mundo, mas também o triste fim daqueles que seguem o seu curso. Se eles entendem isso, não vão invejar tais pessoas, mas sim terão pena deles (Pv 23:17; 24:1; Salmos 37:1).

                    Não obstante, alguns Cristãos auto-confiantes pensam que podem ir em seu caminho sem sabedoria, mas no final eles pagam o preço por isso. Todo homem tem a liberdade de fazer suas próprias escolhas na vida, mas ele não é livre para escolher as conseqüências de suas escolhas. Este é um aviso solene para aqueles que pensam que podem andar de mãos dadas com o mundo e não serem afetado por ele. Não é que Deus vai literalmente "rir" na calamidade dos tolos (v. 26); mas sim, é o riso de justiça poética. (“the laugh of poetic justice”). O ponto é que se você violar certos princípios de Deus, no final eles acabarão zombando você. Tolos, inevitavelmente, farão a colheita da sua loucura (Gál. 6:7-8). "Portanto comerão do fruto do seu caminho" (v 31). A "prosperidade" ["complacência"] dos tolos os destruirá no final (vs. 32). Que estejamos avisados!


3) IMPLEMENTANDO LEITURA E ORAÇÃO EM NOSSAS VIDAS

                    Assim que  o filho cresce, os pais ensinam-lhe outra lição -  a importância da leitura e oração. “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, Para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento...” (Prov. 2: 1-2) Quatro verbos são usados aqui para descrever a leitura da Palavra com um propósito e convicção. Estas quatro palavras não descrevem uma leitura ocasional das Escrituras; elas implicam num estudo diligente e organizado.
                    Há uma série de razões pelas quais o cristão deve ler sua Bíblia. A razão preeminente é para aprender mais de Cristo. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam”(João 5:39, Lucas 24:25-27, 44). Ele é o tema de toda a Escritura. Quando Deus escreveu as Escrituras pelo Espírito Santo, Ele tinha o Seu Filho diante dEle, e Ele a estabeleceu para que se nós fôssemos obter alguma bênção pela leitura das Escrituras, devemos tê-Lo diante de nós também! Isso resultará em grande alegria (Jer 15:16; Sl 119:162).

                    Um cristão também lê a Bíblia para obter luz e orientação para o seu caminho, pelo qual ele é guardado das veredas do destruidor (2 Tm 3.15; Sl 17:4; Sal 19:7; Sal 119:105, 130; 2 Reis 6:8-12).
Outra razão pela qual o Cristão lê é para crescer espiritualmente na graça de Deus, enquanto o caráter de Cristo é formado nele (1 Pedro 2:2; 2 Cor 3:18).
o    Ele também lê a Bíblia para aprender de suas bênçãos espirituais, que estão em Cristo, sobre as quais ele é edificado e firmado na santíssima fé (Atos 20:32; Rom 16:25-26; Jd 20).
o    Ele lê para receber conforto, força e gozo no tempo de prova e de sofrimento (Rom. 15:4; Salmos 119:49-50.).
o    Ele lê para purificar a sua alma das impurezas e do pecado com a lavagem da água pela Palavra, e, se necessário, produz arrependimento e confissão, e restauração ao Senhor. As Escrituras têm uma maneira de purificar nossas almas de uma forma prática (Sal 119:9; Ef 5:26; Sal 19:7).
o    Ele lê para aprender dos eventos futuros, pelo qual ele é instruído no propósito de Deus em glorificar Seu Filho no mundo por vir, em duas esferas: no céu e em Ef. 01:10).

A exortação dos pais continua; “E se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus”(Prov. 2: 3-5).mais quatro verbos são usados aqui para descrever a oração diligente. Estas quatro palavras vão além de simplesmente “proferir” orações. A oração é falar reverentemente com o Senhor Jesus e com Deus o Pai (1 Tim. 4: 5 - J.N.Darby). Todo Cristão deve ter uma pronta comunicação com o Senhor.
Um cristão ora porque ele deseja ter comunhão e companhia com o Senhor. Ele confia no Senhor (Prov 16:20 J.N.Darby), derramando seu coração diante dEle como se fosse ao seu amigo mais próximo. (Sal 62:8).
Ele ora para expressar a sua dependência do Senhor em matéria de orientação e direção na vida (Sl. 16:1; Prov. 3:5-6; Lucas 11:3; Esdras 8:21).
Ele ora (intercede) por outros (1 Tim. 2:1, Col. 4:3). Ele traz para o Senhor as muitas necessidades das pessoas no mundo, e entre os seus irmãos, pedindo-Lhe para ajudá-los em suas necessidades específicas.
Um cristão ora para pedir ao Senhor pelas coisas que ele tem necessidade de em sua própria vida (João 14:13-14, 16:23-24; 1 João 3:22, 5:14-15).
A leitura das Escrituras e a oração andam juntas - você realmente não pode separá-las. Note que as duas coisas são baseadas na palavra condicional "se" (v. 1, 3). Isso mostra que nós somos responsáveis em fazer essas coisas. Pais piedosos procurarão levar a Palavra de Deus diante de sua família quando eles são jovens tendo leituras bíblicas na família, etc. Mas o objetivo real nela é que, enquanto as crianças crescem, eles vão manter a leitura e oração para si mesmos. Quando eles são jovens, os pais leem e oram com eles como uma espécie de sistema de apoio. Mas, com o tempo, eles devem começar a colher algo para si mesmos da Palavra de Deus. (É uma alegria especial para todos os pais quando vêem os jovens em sua família tomando a Palavra e lendo-a para si mesmos. O grande ganho na leitura assídua e na oração diligente é que nós ganhamos “sabedoria”, “conhecimento”, e “entendimento” diretamente da mão do Senhor (vs. 6).
Então, há algo mais acrescentado nos versos 7-9;a necessidade de andar na verdade aprendida. “Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos: escudo é para os que caminham na sinceridade, para que guarde as veredas do juízo: e conserve o caminho dos seus santos”. A prática do que aprendemos na Palavra é importante para o progresso espiritual em nossas vidas. Alguns parecem não crescer porque eles não colocam em prática a verdade que eles conhecem.
Há promessas adicionais aqui para aquele que anda (pratica) na verdade. Ele vai entender "justiça e juízo, e equidade”.
Temos, então, nos primeiros nove versos deste capítulo, leitura, oração e andar na verdade. Essas coisas são o “salva-vivas” espiritual do crente. O cristão que negligencia a sua Bíblia e não se preocupa com a oração está se dirigindo a momentos difíceis na vida. Além disso, se não colocarmos em prática o que aprendemos, não seremos preservados. O mero conhecimento da verdade não nos preservará no caminho! Estas são coisas sérias e solenes a serem consideradas.


TRÊS COISAS “DIÁRIAS”

Todos os jovens, portanto, deve iniciar essas três coisas em sua vida o mais rapidamente possível para garantir um bom resultado. Estas coisas devem ser praticadas diariamente - não uma ou duas vezes por semana. Nós não podemos viver do maná de ontem! (Ex. 16:19-21)

o    Devemos examinar as Escrituras “diariamente” (Atos 17:11-12).
o    Devemos clamar ao Senhor em oração “diariamente” (Sal. 86:1-3).
o    E devemos tomar nossa cruz e seguir o Senhor no caminho “diariamente”  (Lucas 9:23).

DOIS INIMIGOS DO JOVEM

A última metade do capítulo 2 apresenta dois perigos reais no caminho. Eles são personificados no "homem mau" – representando as influências seculares (vs. 12), e "a mulher estranha", representando as influências religiosas (vs. 16). A promessa para aquele que implementa a leitura das Escrituras, oração e a prática da verdade em suas vidas é que ele vai obter;
o    "Sabedoria", "conhecimento", "entendimento", "justiça", "juízo" e "equidade" (vs. 5-9).
o    alegria e felicidade pessoal – isto é "agradável à tua alma" (vs. 10 - ACA).

o    proteção moral e espiritual "para te livrar do homem mau" (v. 12-15) e "para te livrar da mulher estranha" (v. 16-22).