segunda-feira, 5 de março de 2018

DIVISÃO V - AS PALAVRAS DE AGUR (CAPÍTULO 30)


DIVISÃO V
(Capítulo 30)

As Palavras de Agur


            Tudo o que sabemos sobre “Agur” é encontrado neste capítulo. Ele aparentemente tinha dois alunos, “Itiel e Ucal”. O que segue neste capítulo é o que ele lhes ensinou, e temos o privilégio de tê-lo registrado nas Escrituras para nosso proveito também.
            Agur tomou o lugar de saber pouco, e confessou que ele próprio era apenas um aluno (vs.2-3). Ele se abaixou e exaltou Deus e Sua Palavra, ilustrando assim a verdadeira humildade ordenada nos Provérbios. No entanto, encontramos neste capítulo que ele sabia muito mais do que a maioria nos tempos do Antigo Testamento! Ele comunica alguns importantes princípios morais e práticos que nos preservarão neste mundo.

Ele Conhecia Deus

            Antes de tudo, Agur tinha um conhecimento de Deus e de Seu Filho (vs. 4-6). Isso é notável porque ainda não havia sido dada ao homem a revelação do Pai e do Filho - que é formalmente revelada no ministério de nosso Senhor Jesus (Jo 1:18). Em uma série de cinco perguntas ele expõe a grandeza de Deus.

Ele Se Conhecia

            Em segundo lugar, os versículos 7-10 indicam que Agur também teve algum conhecimento de si mesmo. Ele conhecia seu próprio coração e, portanto, não confiava em si mesmo (Pv 28:26). Não ter confiança na carne leva a afastar-se dela, e lançar-nos ao Senhor em dependência.

Ele Conhecia o Verdadeiro Caráter do Mundo

            Além disso, os versículos 11-23 mostram que Agur tinha uma compreensão do verdadeiro caráter do mundo, e resumiu-o em quatro séries de quatro coisas. Cada série retrata um aspecto diferente do mundo e seus caminhos.
            Na primeira série, ele fala dos princípios morais encobertos que marcam os homens do mundo que se rebelam contra a autoridade dos pais (v. 11), justiça-própria (v. 12), orgulho (v. 13) e violência gananciosa (v. 14).
            Na segunda série, ele fala do caráter insatisfeito do mundo quatro coisas insaciáveis. As pessoas no sistema do mundo são comparadas à “sepultura”, à “madre estéril”, à “terra” e ao “fogo”. Nenhum destes podem se fartar e nunca estão satisfeitos (vs. 15-17).
            Na terceira série, Agur refere-se a quatro coisas inescrutáveis (vs. 18-19). Eles falam dos motivos ocultos por trás das ações das pessoas do mundo. Muitas vezes tem sido dito que este mundo quer você para tirar de você o que ele quiser, e é certamente verdade. Eles podem ter uma maneira aparentemente graciosa de agir, mas por trás de suas ações muitas vezes estão segundas intenções. A “águia” que sobe alto no ar parece muito bonita, mas tem uma razão para fazê-lo para mergulhar em sua presa! A “serpente” deslizando sobre uma rocha é uma visão intrigante, mas está procurando por uma vítima! O “navio no meio do mar” é algo atraente, mas está em uma missão a algum destino por interesse próprio. E, por trás do gracioso caminho de “um homem com uma virgem” muitas vezes está um esforço para seduzi-la e corrompê-la! Todas as quatro coisas são comparadas a “uma mulher adúltera” que faz seu mal, e depois tenta escondê-lo (v. 20).
            Na quarta série de coisas, Agur fala de quatro coisas insuportáveis, cada uma descrevendo a impropriedade daqueles do mundo que não sabem como se comportar na esfera em que se encontram (vs. 21-23).

Ele Sabia Como Ser Preservado da Influência do Mundo

            A próxima série de quatro coisas indicam que Agur teve uma compreensão de como o filho de Deus pode ser preservado das influências do mundo (vs. 24-28). Estas são coisas que precisamos para passar por este mundo e não sermos afetados por ele. Ele aprendeu esta sabedoria do reino animal (Jó 12:7-10).
            A primeira são as “formigas” que ajuntam seus alimentos em um momento em que elas podem obtê-lo “verão”. Isso fala da importância de obter alimento espiritual para nossas almas (Jo 6:54-58). A maior salvaguarda contra sermos arrastados para o mundo é sermos encontrados desfrutando de Cristo, que é o alimento espiritual para nossas almas. Estar cheio com aquilo que verdadeiramente satisfaz o coração nos guardará de ambicionarmos as coisas do mundo.
            O segundo são os “coelhos” Eles são criaturas que reconhecem sua fraqueza e, portanto, vivem em lugares seguros “nas rochas”. Isso fala da dependência do Senhor. Isso também é algo que precisamos uma fraqueza sentida que nos leva a lançar-nos sobre o Senhor em Quem há segurança (Dt 33:12). Ele é a Rocha da salvação (Sl 95:1). Aquele que conhece sua fraqueza e se lança ao Senhor será preservado.
            O terceiro são os “gafanhotos” que se caracterizam por sair “em bandos”. São criaturas que sabem se manter em sintonia um com o outro. Isso indica a necessidade de manter-se em companhia de crentes com a mesma “fé igualmente preciosa”. Isso fala de comunhão, que também é importante para a nossa preservação (Sl 119:63; Hb 10:25; 2 Pe 1:1).
            A quarta é a “aranha”. O que marca essa criatura sábia é que ela vive na presença do rei “nos palácios dos reis”. Isto fala de acesso à presença do Senhor, o Rei dos Reis, pela oração (Hb 10:19; Ef 3:12). Uma vida secreta de comunhão com o Senhor e uma constante vida em Sua presença é essencial para sermos mantidos.

Ele Sabia o Que Era Necessário Para um 
Testemunho Eficaz Para o Mundo

            A série final de quatro coisas mostra que Agur sabia o que era necessário para que o testemunho do crente fosse efetivo neste mundo (vs. 29-31). O “leão” fala de firme ousadia para confessar Cristo (Pv 28:1). O “cavalo” fala da defesa da fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 3; Pv 21:31; Jó 39:19-25; 2 Rs 9:33, 11:16). O “bode” que sobe alto nas montanhas, fala de não ficar desanimado. Precisamos ficar acima das circunstâncias adversas da vida, subindo acima delas (1 Sm 30:6; Hc 3:17-19). Por fim, o “rei” contra quem ninguém pode se levantar, fala de manter os estritos padrões de justiça como encontrados nos princípios da Palavra de Deus.

Ele Sabia Como Não Levantar Questões


            Os dois últimos versículos do capítulo nos lembram de que, se nosso testemunho ao mundo não for recebido, não ajudará em nada levantar questões. Só será contraproducente, gerando conflitos. Devemos deixar pessoas que rejeitam nosso testemunho com o Senhor, o Único que pode mudar seus corações (Pv 30:32-33; Sl 33:15).

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